Uma das características da dieta mediterrânica é a utilização de azeite como gordura principal. O azeite é rico em gorduras monoinsaturadas (ácido oleico), as quais estão associadas a benefícios para a saúde, especialmente quando substituem gorduras saturadas. Um estudo anterior de grandes dimensões mostrou que substituir gorduras saturadas por insaturadas esteve associado a uma diminuição do risco de doenças cardiovasculares, alguns tipos de cancro, doenças neurodegenerativas e doenças respiratórias (Wang et al., 2016).
Mais recentemente, um estudo sugere que a ingestão diária de azeite (mais de ½ colher de sopa) possa estar associada a uma diminuição do risco de mortalidade. O estudo incluiu participantes de duas coortes: 60582 mulheres (Nurses’ Health Study) e 31801 homens (Health Professionals Follow-up Study), os quais foram acompanhados ao longo de 28 anos com base em inquéritos alimentares atualizados de 4 em 4 anos. Entre aqueles que tiveram uma ingestão superior de azeite (> ½ colher de sopa/dia ou >7 g/dia) foram observados os seguintes efeitos (Guasch-Ferré et al., 2022):
- Risco 19% inferior de mortalidade total;
- Risco 19% inferior de mortalidade por doença cardiovascular;
- Risco 17% inferior de mortalidade por cancro;
- Risco 29% inferior de mortalidade por doença neurodegenerativa;
- Risco 18% inferior de mortalidade por doença respiratória.
- Substituir 10 g/dia de margarina, manteiga, maionese e/ou gordura de produtos lácteos por uma quantidade equivalente de azeite esteve associado a um risco 8 a 34% inferior de mortalidade total ou específica.
Estes resultados estão de acordo com estudos anteriores que mostram os efeitos benéficos do azeite e outras gorduras insaturadas para a saúde, especialmente quando substituem gorduras menos saudáveis, como as gorduras saturadas presentes nos produtos animais e nos óleos tropicais como o óleo de palma e de coco.
Embora os participantes que ingeriam mais azeite geralmente tinham hábitos mais saudáveis comparativamente com aqueles com uma ingestão inferior, os resultados permaneceram os mesmos mesmo depois de ajustados os confundidores. Vários dos componentes presentes no azeite extra virgem (mais rico em compostos fenólicos do que o refinado), poderão explicar uma parte dos seus efeitos.
Convém lembrar, no entanto, que embora o azeite seja uma gordura saudável, só podemos obter os seus benefícios no contexto de um padrão alimentar saudável, de base vegetal, tal como a dieta mediterrânica. Além disso, por se tratar de um alimento muito calórico, facilmente podemos ingerir calorias em excesso, o que pode contribuir para o aumento de peso. Em suma, o azeite não anula os efeitos negativos de uma dieta pouco saudável, apenas acrescenta benefícios a um padrão alimentar equilibrado.
Referências:
- Wang DD, Li Y, Chiuve SE, Stampfer MJ, Manson JE, Rimm EB, et al. Association of Specific Dietary Fats With Total and Cause-Specific Mortality. JAMA Intern Med. 2016 Aug 1;176(8):1134–45.
- Guasch-Ferré M, Li Y, Willett WC, Sun Q, Sampson L, Salas-Salvadó J, et al. Consumption of Olive Oil and Risk of Total and Cause-Specific Mortality Among U.S. Adults. Journal of the American College of Cardiology [Internet]. 2022 Jan 18 [cited 2022 Jan 23];79(2):101–12. Available from: https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0735109721081481
